Corrida para os Óscares: Les Misérables

Les MisérablesApesar das duras críticas que lhe têm sido feitas tanto pela crítica como pelo público a adaptação do musical Les Misérables por Tom Hooper recebeu 8 nomeações para a edição deste ano dos Óscares. O musical está nomeado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Actor, Melhor Actriz Secundária, Melhor Direcção Artística, Melhor Guarda-Roupa, Melhor Caracterização, Melhor Canção Original e Melhor Mistura de Som.

Provavelmente serão poucas as estatuetas que o filme irá arrecadar na 85 edição dos prémios da Academia. No entanto o Óscar de Melhor Actriz Secundária parece já estar reservado para a deslumbrante interpretação de Anne Hathaway no papel de Fantine. A performance de “I Dreamed a Dream” por Hathaway é impecavelmente executada num só take, profundamente sentida e facilmente emociona o espectador.

Nas interpretações também é de destacar o trabalho de Hugh Jackman, que como já era de esperar encarnou Jean Valjean extraordinariamente bem. A sua experiência em musicais é notória na forma como encarna este difícil papel e facilmente rivaliza com os grandes nomes que já interpretaram esta personagem nos palcos. O seu trabalho valeu-lhe a nomeação para Melhor Actor, mas devido à concorrência que tem nesta categoria as hipóteses de sair vencedor são escassas.

Em geral todo o elenco do filme tem um bom desempenho. Apesar de Amanda Seyfried também não estar excepcional no papel de Cosette, apenas as performances de Russel Crowe e de Helena Bonham Carter deixam a desejar. Crowe revela desde logo que não tem a força necessária para dar vida a Javert, que deveria ser um homem extremamente frio mas que na interpretação de Crowe acaba por parecer demasiado inseguro. No final o papel até parece ter sido adaptado às fraquezas de Crowe e o tom de arrependimento nas cenas do seu suicídio é maior do que devia ser. Helena Bonham Carter por sua vez falha miseravelmente sendo completamente cilindrada pela performance de Sacha Baron Cohen que se revelou no pequeno papel de Thénardier.

Les Misérables poderá ainda receber algum prémio nas categorias mais técnicas dos Óscares como Melhor Mistura de Som, Melhor Caracterização ou Melhor Guarda-Roupa. Nesta última categoria Les Misérables encontra em Anna Karenina e Mirror Mirror uma forte concorrência e por isso menos hipóteses de conseguir a vitória.

Confesso que gostei imenso do filme, facto que já seria de esperar pois sou grande fã de musicais em geral e deste em particular. O filme conseguiu emocionar-me bastante e admito que deixei verter uma lágrima ou duas durante a performance de “I Dreamed a Dream” e durante a primeira interpretação da música “Do You Hear the People Sing?”. Não acho os planos de Hooper sejam descabidos, nem que a quantidade de partes cantadas deixem o espectador exausto e aborrecido.

Não consigo perceber, nem aceitar algumas críticas e acredito que Les Misérables está a ser vítima de uma campanha anti-musicais. Por alguma razão estranha, e para a qual não tenho qualquer explicação, generalizou-se a opinião de que os filmes musicais são um género menor da sétima arte e que em geral não prestam. Sam Leith, do The Guardian, escreveu uma crónica muito interessante sobre este ódio extremo que as pessoas não têm qualquer pudor em revelar. Leith justificou-o como sendo um acto de snobismo, até porque os musicais no Reino Unido estão muito associados ao turismo, especialmente àquele que se desloca das zonas rurais para a cidade.

Também em Portugal existe esta ideia de que os musicais são para o povo que vem em excursão de autocarro para ver as produções do Filipe La Féria. Para além de ser extremamente petulante e também ofensivo não só para as pessoas que se deslocam a Lisboa para ver musicais, como também para todas as pessoas que se esforçam para tornar este género acessível a todos. Aliás ainda bem que se fazem excursões a Lisboa para ver musicais, é infinitamente melhor do que fazê-lo para ver ao vivo a gala da Casa dos Segredos.

Corrida para os Óscares: Silver Linings Playbook

Silver Linings PlaybookO novo filme de David O. Russell, Silver Linings Playbook, é juntamente com Lincoln, Life of Pi e Les Misérables um dos filmes mais nomeados da 85.ºs edição dos Óscares. Aliás, a comédia romântica de Russell é o primeiro filme desde 1982 a ser nomeado para todas as categorias de interpretação. O último filme a conseguir tal proeza foi Reds, que acabou por só receber 3 dos 9 prémios para os quais estava nomeado, arrecadando no entanto o Óscar para Melhor Actriz Secundária, Melhor Fotografia e Melhor Realizador. Para além das categorias de interpretação Silver Linings Playbook está nomeado para Melhor Realizador, Melhor Filme, Melhor Montagem e Melhor Argumento Adaptado.

Segundo a resposta positiva que o filme tem recebido da critica, tudo aponta para que Silver Linings Playbook saia vencedor em pelo menos uma das categorias para as quais foi nomeado. A categoria onde parece ter mais hipóteses é na categoria de Melhor Actor Secundário, mas o título pode ser muito facilmente roubado a DeNiro por Tommy Lee Jones, pelo seu desempenho em Lincoln. Na minha opinião, apesar de Robert DeNiro não desiludir em Silver Linings Playbook, a vitória deveria ser dada a Alan Arkin ou a Christoph Waltz.

Outra das categorias para a qual o filme de Russell parece ser um dos favoritos é o prémio de Melhor Argumento Adaptado. No entanto para mim o argumento de Silver Linings Playbook não passa de mediano apesar do mote da história até prometer um filme interessante. O amor entre pessoas que estão emocionalmente instáveis e que têm uma dificuldade enorme em socializar poderia ser a receita para uma comédia romântica invulgar mas de sucesso. No entanto o filme é previsível e não consegue mostrar ao espectador porque é que os dois protagonistas acabam por se apaixonar, acabando por parecer que eles simplesmente se apaixonam porque têm uma doença mental em comum e porque não têm mais ninguém.

Os diálogos entre o casal acabam por parecer banais e nota-se pouca empatia, principalmente da parte de Jennifer Lawrence. A actriz que em algumas cenas até mostra ser promissora acaba por desapontar no papel de Tiffany, e em vez de interpretar uma mulher misteriosa e atormentada, acaba por ser demasiado apática.

Em contraste, confesso que fiquei algo surpreendida com o desempenho de Bradley Cooper e penso que a sua nomeação para Melhor Actor até é justa e poderá ser importante para que Cooper comece a fazer papeis com mais profundidade. No entanto não acho que tenha hipóteses e tão pouco é o meu preferido para a vitória nesta categoria.

Corrida para os Óscares: Django Unchained

Django UnchainedMais uma vez Tarantino volta a surpreender com a forma astuta e controversa como aborda temas difíceis. Desta vez o realizador decidiu contar, aos estilo western spaghetti, uma história sobre escravatura e racismo, um tema que até hoje é muito sensível nos EUA. Django Unchained retrata as aventuras de um escravo libertado por um caçador de recompensas que o introduz ao negócio da captura de criminosos procurados e que o ajuda a libertar a sua mulher também vítima de escravatura.

A coragem que Tarantino tem ao abordar estes temas controversos parece estar a compensar e mais uma vez o realizador foi brindado com várias nomeações para os Óscares. Django está nomeado para cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Argumento Original, Melhor Actor Secundário, Melhor Fotografia e Melhor Edição de Som.

Apesar de estar a concorrer contra Moonrise Kingdom, um filme de Wes Anderson com um argumento audaz e sublime, Django é o meu favorito na categoria de Melhor Argumento Original. Confesso que durante muito tempo considerei que Quentin Tarantino era melhor argumentista do que realizador e apesar de apreciar o argumento dos seus filmes a realização destes era por vezes garrida demais para o meu gosto (e sim, quando digo isto estou a referir-me ao Kill Bill). No entanto com o Inglourious Basterds e agora com Django Unchained Quentin Tarantino voltou a subir na minha consideração como realizador.

Encontro em Django muitas semelhança com um dos meus filmes preferidos (para mim um dos melhores argumentos de sempre), o True Romance, que apesar de ter sido realizado pelo recentemente falecido Tony Scott foi escrito por Tarantino. Encontro semelhanças especialmente na forma obtusa e quase caricatural como as situações mais complicadas são abordadas e nos diálogos repletos de sarcasmo e humor negro. Algo que também é muito semelhante nestes dois filmes é a violência e a forma como esta é abordada. Aliás ambos os filmes têm uma cena perto do final abundante em tiros e curiosamente coreografada. E apesar de toda a violência, tanto no True Romance como no Django Unchained o amor vence no final e os casais vivem felizes para sempre.

Talvez a minha predilecção por Django nesta categoria possa estar demasiado relacionada com a minha adoração pelo True Romance. No entanto isto poderá também corroborar a minha tese de que Quentin Tarantino é um belo argumentista.

Django também está na corrida para o Óscar de Melhor Actor Secundário, neste caso tendo sido nomeado Christoph Waltz. No entanto para mim Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson também deveriam estar nomeados, mas isso dificultaria ainda a mais a escolha de um vencedor nesta categoria pois os três fazem belíssimas interpretações das suas personagens. DiCaprio mais uma vez mostrou o quanto cresceu como actor e executa na perfeição a tarefa hercúlea interpretar um esclavagista snobe e implacável. Samuel L. Jackson por sua vez interpreta o detestável criado da personagem de Dicaprio e é tortuoso muito ao estilo do vilão que o actor interpretou em Unbreakable. Christoph Waltz provou que afinal até é versátil e pode também fazer o papel de bom da fita, apesar de, no papel de mau, ele ser ainda melhor.

Tal como acontece na categoria de Melhor Argumento Original as hipóteses de Django receber o prémio da Academia na categoria de Melhor Actor Secundário são diminutas. Em ambas as categorias o filme de Tarantino concorre contra filmes que beneficiaram de boas campanhas de divulgação: na primeira categoria contra Zero Dark Thirty e na segunda contra o patriótico Lincoln. Na categoria de Melhor Argumento Original Django Unchained pode ainda ser derrotado por Amour.

Segundo a maior parte das previsões Django também não parece ter grandes hipóteses na categoria de Melhor Fotografia nem na categoria de Melhor Edição de Som e confesso que, especialmente estando a concorrer contra o Life of Pi, Django também não é um dos meus favoritos à vitória em ambas as categorias. Quanto às hipóteses de Django vencer na categoria de melhor filme nem me vou manifestar.

Somando todas as variáveis Django Unchained foi possivelmente um dos meus filmes preferidos de 2012 mas nem sempre a minha opinião se alinha com as opiniões dos eleitores da Academy of Motion Picture Arts and Sciences e provavelmente Tarantino sairá desta edição dos Óscares com poucas estatuetas ou talvez até nenhuma. No entanto não posso acabar sem fazer um elogio à magnifica banda sonora de Django, que tem tanto de provocadora como de bela e é para mim a melhor do ano.

Corrida para os Óscares: Life of Pi

Life of PiCom 11 nomeações, mas com poucas hipoteses de ser um dos grandes vencedores da edição dos Óscares deste ano, está Life of Pi. O filme de Ang Lee baseado no best seller do canadiano Yann Martel concorre contra Lincoln nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado, mas parece ser apenas nas categorias mais técnicas que Life of Pi terá alguma hipótese de sair vencedor.

Life of Pi também está nomeado para Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor DIrecção Artística, Melhor Banda Sonora Original, Melhor Canção Original, Melhor Mistura de Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Visuais. Nesta última, principalmente, o filme de Ang Lee parece ser o favorito, tendo sido na minha opinião uma das melhores utilizações da tecnologia 3D até à data.

Apesar do filme beneficiar de uma história interessante Ang Lee conseguiu ir mais além recorrendo à tecnologia para reproduzir o mundo fantástico que a história descreve. O Tigre com o qual Pi Patel partilha o bote salvavidas está tão bem conseguido, desde o seu aspecto até aos seus mais finos movimentos, que fácilmente nos esquecemos que o animal não é real.

Life of Pi também é um soberbo trabalho de fotografia e edição, que foi bastante dificultado pelo facto de grande parte do filme decorrer em alto mar, sem mais nada a não se um imenso pano de fundo de céu e mar. Mesmo com todos os desafios que o argumento apresenta o filme é visualmente belo sem parecer falso ou excessivamente fantasioso. Faz-me lembrar bastante o estilo de Tarsem Singh, também ele nomeado mas na categoria de Melhor Guarda-Roupa.

Life of Pi poderá ser a grande surpresa dos Óscares, como Slumdog Millionaire foi em 2009, mas com toda a máquina propagandista que se criou à volta de Lincoln as hipóteses do filme do Ang Lee ganhar alguma das grandes categorias são muito poucas. Esperemos então que Academia não se esqueça de premiar este belo filme pelo menos nas categorias técnicas.

Corrida para os Óscares: Lincoln

LincolnNa frente da corrida para os Óscares está Lincoln, o filme sobre os últimos meses de mandato (e de vida) de Abraham Lincoln, que tem 12 nomeações incluindo a nomeação para Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actor. O filme biográfico sobre o 16.º presidente dos Estados Unidos é apontado por muitos como o grande favorito para muitas das categorias para as quais está nomeado.

Como muitas das previsões apontam também acredito que Lincoln será o grande vencedor da 85.ºs edição dos Óscares, apesar de não achar que o filme seja merecedor da estatueta na maioria das categorias. A grande maioria dos membros da Academy of Motion Picture Arts and Sciences são americanos, os alvos perfeitos do patriótico filme de Steven Spielberg, portanto não é de estranhar que saia como o grande vencedor da edição deste ano dos Óscares. No entanto, na minha opinião, apesar ter uma boa realização e uma excelente interpretação de Daniel Day-Lewis, Lincoln é um filme denso demais, complexo demais e aborrecidamente propagandista.

Com isto não quero de maneira nenhuma dizer que o filme não seja interessante. Lincoln é um filme estéticamente belo e com uma surpreendente atenção ao detalhe, mas que falha essencialmente por ser excessivamente documental. Parece que Spielberg e o argumentista Tony Kushner se esquecem por momentos que estão a fazer um filme e transformam este retrato de Lincoln num autentico espelho da história que pode em certos momentos se tornar bastante enfadonho.

Penso que Daniel Day-Lewis irá vencer o Óscar de melhor actor e com bastante mérito. Daniel Day-Lewis parece uma cópia feita a papel químico do 16.º presidente dos Estados Unidos, algo que não se deve apenas a um bom trabalho de caracterização. De certa forma isto acaba por ser algo irónico, pois o actor perfeito para fazer de Lincoln nem sequer é americano.

Para todas as outras categorias para as quais Lincoln está nomeado parece-me haver sempre um nomeado que merece mais a estatueta do que o filme de Spielberg.

Os Melhores Protestos Anti SOPA

Quarta-feira, dia 18 de Janeiro de 2012, provavelmente ficará na história como o dia do grande blackout da Internet. Em protesto contra a proposta de lei norte-americana contra a cópia e a reprodução ilegal de conteúdo na Internet, conhecida como Stop Online Piracy Act (SOPA), milhares de websites foram substituidos por mensagens anti SOPA ou redirecticionados para o website oficial do protesto.

Grandes nomes da Internet como o Google, a Wikipedia e a Wired mostraram assim a sua indignação em relação a esta proposta de lei, mas não foram os únicos. Muitos outros sites (muito ou pouco visitados), empresas como a O’Reilly Media e até o artista Peter Gabriel também quiseram mostrar que estão contra a SOPA.

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Codebits V

Este ano o Codebits voltou a juntar, durante três dias, cerca de 800 geeks na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Na 5ª edição do evento, cujo tema foi o Cloud Computing, para além das habituais talks e do concurso de programação, houve ainda Nuclear Tacos, Legos, Quiz e Badges.

Para ver as minhas fotos do Codebits V clique aqui.

Ubuntu 11.10: Lançamento do Oneiric Ocelot a 13 de Outubro

A mais recente versão do Ubuntu, que tem como nome de código Oneiric Ocelot, será oficialmente lançada esta quinta-feira, dia 13 de Outubro. Para publicitar a nova versão, a equipa de design da Canonical fez um vídeo utilizando apenas ferramentas open source.

Aqui podem ver a versão Portuguesa do vídeo, traduzida pela comunidade Ubuntu Portugal:

doclisboa 2011 – IX Festival Internacional de Cinema

Todos os anos, na segunda metade do mês de Outubro, o doclisboa brinda-nos com uma maravilhosa selecção dos melhores documentários da última temporada. A IX edição do festival orga­ni­zado pela Apor­doc terá início no dia 20 de Outubro com o documentário de Frederick Wiseman, Crazy Horse, sobre o cabaré parisiense com o mesmo nome, e encerrará no dia 30 de Outubro com Photographic Memory, de Ross McEtwee.

Este ano o certame apresentará 172 filmes, sete dos quais são estreias internacionais, cinco estreias mundiais e 17 primeira obras. Haverá também um filme-surpresa que será exibido no último dia do festival e que é surpresa porque questões jurídicas impedem que o filme seja anunciado (apenas se saberá 2 ou 3 dias antes do festival começar). O doclisboa contará ainda com uma retrospectiva de obras realizadas sobre os Movimentos de Libertação em, Moçambique, Angola e Giné-Bissau (1961-1974) e as outras duas dedicadas aos realizadores Jean Rouch e Harun Farocki.

O festival irá decorrer, como tem sido habitual, nas salas da Culturgest, na Cinemateca Portuguesa e nos cinemas Londres e São Jorge. Este ano também haverão sessões no Cinema City Campo Pequeno e no Teatro do Bairro. O bilhete normal para cada sessão continua a custar 3.50 euros, ficando a 3 euros para estudantes (apenas na Culturgest e no Cinema São Jorge). O preço dos bilhetes para a Cinemateca sobe este ano para 3 euros e o preço para as projecções 3D no Cinema City Campo Pequeno será 5 euros. Continua a existir o voucher de 10 bilhetes a 25 euros, vendido exclusivamente na bilheteira da Culturgest.

As minhas sugestões para o doclisboa 2011:

Cane Toads: The Conquest – Mark Lewis

Apesar de ser uma projecção 3D, que confesso não ser grande fã, este parece-me ser um dos melhores documentários que estará no doclisboa deste ano. O filme explora uma das maiores catástrofes ambientais que assola a Austrália de uma forma quase humorística. O Cane Toad, que um dia foi visto pelos australianos como o herói que iria salvar as plantações de cana-de-açúcar, é agora encarado como uma praga e os australianos recorrem às estratégias mais mirabolantes para fazer face ao problema.

29 OUT. 17:45 – Cinema City Campo Pequeno – Sala 1 – Projecção 3D

30 OUT. 17:45 – Cinema City Campo Pequeno – Sala 1 – Projecção 3D

É na Terra Não é na Lua – Gonçalo Tocha

Um documentário que aborda o dia-a-dia na mais pequena ilha dos Açores, o Corvo. É na Terra Não é na Lua é o primeiro filme português a estar na competição internacional do doclisboa.

25 OUT. 21:00 – Culturgest – Grande Auditório

29 OUT. 14:45 – Culturgest – Pequeno Auditório

Blue Meridian – Sofie Benoot

Blue Meridian é a primeira obra de Sofie Benoot e relata a vida nas margens do Mississipi desde Cairo, em Illinois, até Veneza, no Louisiana. Este documentário é uma viagem pelo sul profundo dos Estados Unidos, devastado pelos desastres naturais, e que está muito longe de ser o sonho americano.

25 OUT. 18:00 – São Jorge – Sala Manoel de Oliveira

27 OUT. 19:00 – São Jorge – Sala 3

Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer – Alex Gibney

Uma história bem americana sobre o ex-governador de Nova York Eliot Spitzer, apelidado de “The Sheriff of Wall Street” e o escândalo sexual que fez a sua carreira política descarrilar. Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer é a história de como um homem que era apontado como um possível candidato a presidente dos Estados Unidos passa rápidamente de bestial a besta.

23 OUT. 21:15 – Cinema Londres – Sala 1

27 OUT. 21:45 – Cinema Londres – Sala 2

Crazy Horse – Frederick Wiseman

Frederick Wiseman mostra os bastidores do famoso cabaré parisiense, fundado em 1951 por Alain Bernardin, e a preparação de um novo espectáculo, Désirs. Um documentário que não é muito recomendável a feministas, uma vez que o corpo nú das bailarinas é bastante evidenciado.

20 OUT. 21:00 – Culturgest – Grande Auditório

L’Hypothèse du Mokélé-Mbembé – Marie Voignier

L’Hypothèse du Mokélé-Mbembé leva o espectador até ao Sudeste dos Camarões, seguindo o explorador Ballot Michel. Este homem tem procurado obessivamente um animal desconhecido da zoologia: o Mokele-Mbembe, uma criatura pré-histórica que supostamente se assemelha a um rinoceronte, a um crocodilo, a uma cobra e a um dinossauro.

24 OUT. 21:45 – Cinema Londres – Sala 2

27 OUT. 16:15 – Cinema Londres – Sala 1

Sonnensystem – Thomas Heise

Em Sonnensystem, Thomas Heise mostra a vida quotidiana dos habitantes de uma pequena comunidade indígena, na parte norte da provincia de Sallas, Argentina. O espectador é confrontado desaparecimento dos Kollas de Tinkunaku, à medida que a modernidade invade as suas terras.

22 OUT. 16:00 – Culturgest – Pequeno Auditório

23 OUT. 21:45 – Culturgest – Grande Auditório

Quero por fim realçar também a curta do Daniel Pinto de Sousa e do Miguel Guimarães Correia,  A Máquina, que estará a concurso na Competição Portuguesa de Curtas-Metragens e poderá ser vista a 26 de Outubro, às 19:30, no Grande Auditório da Culturgest, ou a 28 de Outubro, às 21:00, no Pequeno Auditório da Culturgest.

doclisboa 2010

A edição de 2010 do doclis­boa, orga­ni­zado pela Apor­doc, começa já esta quinta-feira, dia 14 de Outubro, com a estreia de “José & Pilar”, sobre a relação entre José Saramago e Pilar del Rio. O festival irá decorrer nas salas da Culturgest, nos cinemas Londres, São Jorge, Cinema City Classic Alvalade e na Cinemateca Portuguesa até dia 24 de Outubro, encerrando com uma ficção – My Joy, de Sergei Loznitsa.

O festival vai também exibir uma retrospectiva do “pai do documentário”, o cineasta holandês Joris Ivens. Serão exibidos 39 filmes seus, e o festival contará com a presença de Marcelina Loridan-Ivens, viúva e assistente do realizador. Haverá ainda duas outras retrospectivas: de Jørgen Leth e de Marcel Ophuls.

A programação pode ser consultada no site do festival e os bilhetes já estão à venda desde 1 de Outubro na bilheteira central instalada na Culturgest. O bilhete normal para cada sessão custa €3.50, mas com desconto para estudantes fica a €3 (apenas na Culturgest e no Cinema São Jorge). Os bilhetes para a Cinemateca são € 2.50. Para quem preferir há ainda o voucher de 10 bilhetes, vendido exclusivamente na bilheteira da Culturgest, e que custa €25.

As minhas recomendações para o doclis­boa 2010:

Na secção investigações:

Oil Rocks, City Above the sea – Marc Wolfensberger

Um documentário sobre um conjunto de plataformas petrolíferas mandadas construir por Estaline, em 1949, e que se estendem no mar Cáspio como uma vasta cidade. O documentário (o primeiro realizado por uma equipa de filmagem ocidental neste local) combina imagens de arquivo a preto e branco com filmagens actuais, contando a história de Neft Daşları e dos seus peculiares habitantes.

Into Eternity – Michael Madsen

Um filme, em género de carta para as gerações futuras, sobre a contrução, na Finlândia, de um túmulo para despojos nucleares  e onde se espera que estes fiquem durante largos milhares de anos.

The forgotten space – Allan Sekula e Noël Burch

A câmara segue os contentores de navios de carga, barcos, comboios e camiões, ouvindo trabalhadores, engenheiros, gestores de transportes, políticos e marginalizados pelo sistema global de transportes.

Na Competição Internacional – Longas:

Steam of Life – Joonas Berghäll

Os realizadores viajam pela Finlândia, reunindo personagens com diferentes percursos de vida, que contam as suas histórias sobre o amor, a morte, o nascimento, a amizade, dentro de uma sauna.

Na Competição Portuguesa – Longas e Médias:

Yemen Travelogue – days at Shibam and Seiyun – Michael Pilz

O retrato de uma viagem a Sana, a capital da República do Yemen, e Shibam, a lendária e antiga “Manhattan do deserto”.

Outros filmes de interesse no festival:

Tonite Let’s All Make Love in London

Complexo – Universo Paralelo

A Festa dos Rapazes

The Giant Buddhas

Last Train Home

Nomad’s Land – Sur les traces de Nicolas Bouvier

Petropolis – Aerial Perspectives on the Alberta Tar Sands

The Woman with the 5 Elephants

Wolfram, a Saliva do Lobo

Man with no Name

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