Oscars: As minhas previsões

Filme
Realizador
Actor
Actriz
Argo Steven Spielberg Daniel Day-Lewis Jennifer Lawrence
Argo Steven Spielberg Daniel Day-Lewis Jennifer Lawrence
Actor Secundário
Actriz Secundária
Argumento Original
Argumento Adaptado
Tommy Lee Jones AnneHathaway Zero Dark Thirty Lincoln
Tommy Lee Jones Anne Hathaway Zero Dark Thirty Lincoln
Banda Sonora Original
Canção Original
Fotografia
Efeitos Visuais
Life of Pi Skyfall Life of Pi Life of Pi
Life of Pi Skyfall Life of Pi Life of Pi
Guarda Roupa
Caracterização
Edição de Som
Mistura de Som
Anna Karenina The Hobbit: An Unexpected Journey Argo Les Misérables
Anna Karenina The Hobbit Argo Les Misérables
Montagem
Direcção Artística
Filme Estrangeiro
Filme de Animação
Argo Anna Karenina Amour Brave
Argo Anna Karenina Amour Brave

Oscars: As minhas escolhas

Beasts of the Southern WildFilme

Porque dos nomeados Beasts of the Southern Wild é com certeza o mais original. Tem um equilíbrio perfeito: história, realização e elenco.

Ang LeeRealizador

O argumento só por si era um desafio, mas o que faz com que Ang Lee brilhe com este filme é a mestria que revelou ter na utilização da tecnologia.

Daniel Day-LewisActor

Há que reconhecer o trabalho que Daniel Day-Lewis teve para interpretar este papel e a verdade é que ele conseguiu fazê-lo impecavelmente bem.

Quvenzhané WallisActriz

É raro ver uma criança de seis anos interpretar um papel tão difícil. Wallis fá-lo na perfeição e mostra que é tão corajosa quanto Hushpuppy.

Philip Seymour HoffmanActor Secundário

Philip Seymour Hoffman é magnífico no papel de Lancaster Dodd e apesar da concorrência nesta categoria ser feroz ele é o meu favorito.

AnneHathawayActriz Secundária

Quase que bastava apenas a sua interpretação do tema “I Dreamed a Dream” para que Anne Hathaway já merecesse o Óscar.

Django UnchainedArgumento Original

Logo nos primeiros minutos percebemos que este é um filme de Tarantino. Tem um humor mordaz, inteligente e com inúmeras referências.

Life of PiArgumento Adaptado

Muitos achavam que seria impossível contar a história de Pi em filme, mas David Magee conseguiu fazê-lo adaptando-a às especificidades do meio.

ArgoBanda Sonora Original

Dos nomeados é o que melhor aproveita a banda sonora para criar a atmosfera certa. Sem o trabalho de Desplat o filme não seria o mesmo.

Les MisérablesCanção Original

“Suddenly”, apesar de bem interpredada por Jackman, não é a minha preferida de Les Misérables, mas das nomeadas é a que mais se destaca.

Django UnchainedFotografia

De tanto trabalhar com Tarantino, Robert Richardson adaptou-se de tal maneira ao estilo do realizador que juntos fazem a combinação perfeita.

Life of PiEfeitos Visuais

Ninguém pode negar que os efeitos visuais de Life of Pi são impressionantes e ficarão certamente como um marco na história do cinema.

Mirror MirrorGuarda Roupa

Os filmes de Tarsem Singh dependem muito do guarda roupa e mais uma vez a parceria que este tem com Eiko Ishioka deu frutos.

The Hobbit: An Unexpected JourneyCaracterização

As personagens de Tolkien não são fáceis de criar mas mais uma vez a mesma equipa de LoTR teve um excelente desempenho em The Hobbit.

Zero Dark ThirtyEdição de Som

Um cenário de guerra é um desafio de edição de som, mas Paul N. J. Ottosson fez um trabalho exímio tal como tinha feito em The Hurt Locker.

ArgoMistura de Som

A mistura de som é das tarefas mais difíceis de dominar em cinema e a equipa de Argo não tinha o trabalho facilitado, no entanto foi bem sucedida.

ArgoMontagem

Argo incorpora as imagens de arquivo de tal forma que muita vezes é impossível deteta-las à primeira vista. Um trabalho brilhante de montagem.

Anna KareninaDirecção Artística

Qualquer um dos nomeados nesta categoria desenvolveu trabalhos belíssimos, no entanto pelo desafio que era Anna Karenina destaca-se.

AmourFilme Estrangeiro

A qualidade de Amour é inegável e espelha-se não só na nomeação para Melhor Filme Estrangeiro como também para Melhor Filme.

Wreck-it RalphFilme de Animação

Nesta categoria Brave tem tantas hipóteses como Wreck-it Ralph. No entanto penso que este último é dos dois o mais original.

Corrida para os Óscares: Amour

AmourAmour é feito de dualidades: é triste e ternurento, é perturbador e estranhamente reconfortante, mas acima de tudo é verdadeiro. O filme de Michael Haneke junta dois grandes vultos do cinema francês Jean-Louis Trintignant, o galã de Un homme et une femme, e Emmanuelle Riva, a actriz principal de Hiroshima, mon amour, ambos agora despidos de todo o glamour e beleza que pautou as suas carreiras.

Riva e Trintignant são Anne e Georges, um casal de professores de música reformados. Aparentam ainda ser activos, frequentam concertos e vivem os dois felizes, sozinhos na sua casa em Paris. Quando uma manhã, após terem ido ao concerto de um antigo pupilo na noite anterior, Anne tem o que parece ser uma trombose e fica com o lado esquerdo do corpo paralisado.

Georges, que na noite anterior era espectador de um agradável concerto, é agora espectador do triste e lento fim da vida da mulher que ama. Apesar de presenciarmos todo o carinho com que Georges cuida de Anne, conseguimos sentir o quanto lhe dói ver que a sua mulher começa a transformar-se numa sombra do que outrora foi. Georges é então confrontado com a vontade egoísta que todos nós temos de querer que as pessoas que amamos vivam para sempre, estejam em que estado estiverem, e a vontade de deixar partir uma pessoa que não iria querer chegar àquele ponto.

A mestria com que os actores interpretam os seus papéis envolve e emociona o espectador. Emmanuelle Riva faz um trabalho de interpretação impressionante e consegue transmitir não só todas limitações físicas que a doença traz como também o seu impacto emocional.

Amour não deixa ninguém indiferente mas toca particularmente quem já lidou com esta realidade, quem já teve de assistir à degradação gradual de alguém que ama. Quem já foi cuidador de um familiar poderá rever-se em Georges; quem já assistiu à distância à doença de um familiar poderá rever-se em Eva, a filha que não aceita e tenta racionalizar demasiado a situação; quem já teve uma pessoa que admira nesta situação poderá rever-se em Alexandre, o pupilo que acaba por se afastar porque não consegue vê-la naquele estado. A cena inicial revela logo como esta história irá acabar, mas tal como na vida real nada nos prepara para a morte.

A qualidade de Amour garantiu-lhe não só a nomeação para Melhor Filme Estrangeiro como também as nomeações para Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Original. Também a performance de Emmanuelle Riva foi brindada com a nomeação para Melhor Actriz, mas é de lamentar que Jean-Louis Trintignant não tenha sido nomeado para Melhor Actor. Não posso deixar de realçar também a agradável surpresa que foi ver Rita Blanco a fazer parte do elenco de um filme deste calibre.

Corrida para os Óscares: Anna Karenina

Anna KareninaJoe Wright apostou mais uma vez em trazer um grande clássico literário ao grande ecrã e mais uma vez com Keira Knightley no papel principal. Desta vez é Anna Karenina, a história de amor trágica de Leo Tolstoi sobre uma mulher que está disposta a perder tudo, inclusivamente o filho, para ficar com o homem que ama e sem se dar conta que o preço a pagar pelas acções será demasiado caro.

Mas Anna Karenina não é apenas sobre este amor entre Karenina e Vronski, é também uma sátira social e uma forma de Tolstoi expressar os seus ideais. Neste filme Wright e Stoppard deram o destaque merecido a esta terceira componente do romance de Tolstoi ao dar o devido destaque a Levin, interpretado por Domhnall Gleeson. Muito à semelhança de Tolstoi, Levin é um fazendeiro idealista com uma forte ligação à terra e aos seus servos, ao lado dos quais trabalha como se fosse um deles.

A história de Levin é uma lufada de ar fresco no filme, até porque é a única acção que não decorre dentro do teatro. Todo o resto do enredo está confinado ao espaço do teatro incluindo as cenas nas corridas de cavalos. Todos os espaços do teatro são aproveitados: a teia, a plateia, os camarotes, o espaço debaixo do palco,etc.

Não há dúvidas de que Wright foi bastante arrojado e inovador na sua adaptação de Anna Karenina. Este é um filme sumptuoso com cenários majestosos, um guarda roupa extravagante e uma fabulosa direcção artística (estas duas últimas dignas de nomeações para os Óscares). Não posso também deixar de destacar a qualidade da banda sonora de Dario Marianelli (também nomeada para um Óscar) e a notável edição e mistura de som. Anna Karenina foi também nomeado para o Óscar de Melhor Fotografia.

No entanto Anna Karenina acaba por ser demasiado ambicioso. A acção dentro do teatro acaba por ser algo confusa e a performance dos actores é demasiado teatral. Além disso, toda a sumptuosidade do filme acaba por ofuscar a história. Um enredo como o de Anna Karenina não deveria ser deixado para segundo plano.

Corrida para os Óscares: The Flight

FlightLogo na primeira meia hora de Flight Robert Zemeckis brinda-nos com uma das cenas de voo mais aterrorizadoras dos últimos tempos.Vemos Whip Whitaker, interpretado por Denzel Washington, controlar um avião que seguia numa descida vertiginosa virando-o ao contrário e aterrando-o num descampado causando apenas 6 vítimas.

No entanto, até mesmo antes das cenas que decorrem no avião já sabemos que este voo estava condenado. Na véspera do voo Whip embebeda-se e mesmo antes de voar consome cocaína e toma mais duas pequenas garrafas de vodka. Desde logo percebe-se que Whip tem um problema com o álcool e após o acidente o seu problema torna-se ainda maior quando começam a aparecer indícios de que o  herói estava alcoolizado.

E assim a história começa a transformar-se numa lição sobre dependência e recuperação. Whip é consumido pela culpa, fica ainda mais preso ao seu vício e terá de escolher entre mentir ou admitir que estava sob a influência, não só de álcool mas também de substâncias ilícitas. No decorrer do filme ainda ficamos a conhecer a relação que ele tem com a família e presenciamos o desenrolar de uma relação amorosa com uma mulher que também está a lutar contra os seus problemas de dependência.

O tom quase didáctico do filme infelizmente faz com que o espectador perca rapidamente o fôlego  especialmente quando as cenas iniciais são tão fortes e deixam a desejar mais. Quase que o espectador deseja que o acidente de avião acontecesse mais à frente no filme para que a energia se mantivesse. Denzel Washington como sempre é extremamente competente, suavemente desvendando um processo de transformação na personagem que passa de um homem arrogante e um totalmente destruído pelo sentimento de culpa,  e não é em nada responsável pelo desinteresse que o espectador possa sentir ao longo do filme. No entanto o seu talento, recompensado com a nomeação para o Óscar de Melhor Actor, também não consegue dar mais ânimo ao filme. Flight acaba assim por ser apenas um filme mediano que conta com uma interpretação brilhante e uma cena inicial fantástica.

Corrida para os Óscares: The Impossible

The ImpossibleThe Impossible (Lo Imposible no seu título original) não é apenas a história do maior desastre natural de que há memória, é um conto de sobrevivência sobre os fortes laços familiares, a perseverança e a vontade de viver. Juan Antonio Bayona conseguiu mostrar a agonia que as pessoas sentiram durante o tsunami de 2004, a terrível sensação de ser completamente impotente face à força da natureza e o drama de sobreviver num ambiente de destruição.

The Impossible é de um realismo assustador e Bayona demonstra ter uma atenção ao detalhe impressionante. Nada foi deixado ao acaso: a luz, a edição de som, para não falar dos efeito especiais. Em The Impossible o domínio da técnica é inegável, mas é com os seus personagens que Bayona realmente cativa o espectador.

As duas figuras centrais do filme são claramente Maria e Lucas, interpretados por Naomi Watts, nomeada por este papel para o Óscar de Melhor Actriz, e pelo jovem Tom Holland respectivamente. Maria, apesar de frágil mantém aquela força de mãe que a impede de desistir, mas parte dessa força vem do facto de ter o seu filho Lucas a seu lado. Lucas é um pequeno herói pois no meio de tanta desgraça, com a mãe muito doente e perdido do pai e dos irmãos mais novos, ainda encontra coragem para ajudar a reunir algumas famílias. Apesar de ser ainda um miúdo Tom Holland conseguiu demonstrar o pânico contido de uma criança que não se pode ir abaixo porque tem de proteger a mãe.

Com um papel de menor destaque Ewan McGregor também tem alguns momentos poderosos durante a sua busca pelo resto da família. O momento em que McGregor liga para casa pela primeira vez é terrivelmente angustiante e nesses breves momentos ele mostra o brilhante actor que é.

O filme de Bayona tinha tudo para se um drama pesado e difícil. No entanto, graças ao belíssimo argumento de Sergio G. Sánchez, o drama natural da história é quebrado por pequenos apontamentos de ternura: pequenos gestos de carinho, olhares reconfortantes e pequenas coisas que nos fazem acreditar num final menos infeliz. São estes momentos e este equilíbrio tão bem conseguido entre o desespero e a esperança que tornam The Impossible tão especial. Pode não ter sido reconhecido como um dos melhores filmes do ano mas é certamente o que mais emociona.

Corrida para os Óscares: The Master

The MasterÀ primeira vista The Master poderia parecer um filme sobre o líder carismático de um culto. No entanto, na verdade o filme de Paul Thomas Anderson centra-se em Quell, interpretado por Joaquin Phoenix, um homem perturbado que se deixa seduzir pela Causa e pelo seu líder, Lancaster Dodd.

Dodd, magistralmente interpretado por Philip Seymour Hoffman, é supostamente baseado no escritor e fundador da Cientologia L. Ron Hubbard. Ele diz-se um homem da ciência, é escritor, doutor, físico nuclear, filósofo, mas na verdade não passa de um charlatão.

Quando conhece Quell, Lancaster Dodd fica fascinado e vê nele a perfeita cobaia para aplicar para as suas teorias. Freddie Quell vive miserável e desorientado depois de ter servido na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial e por isso torna-se um alvo fácil para a canção do bandido de Dodd.

No entanto rapidamente a relação de ambos vai muito para além da relação médico/paciente e eles tornam-se companheiros de copos e amigos. Mas ao mesmo tempo Quell vê Dodd como um mestre, um Messias.  A relação de interdependência que surge entre ambos incomoda e confunde os leais discípulos de Dodd, incluindo a sua mulher, aqui interpretada por Amy Adams.

Muito do sucesso de The Master deve-se a Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix ambos com performances fantásticas, dignas de um Óscar. O primeiro num papel secundário mas com a competência a que já nos habituou e o segundo no papel principal e de certa forma muito próximo do registo que teve durante a crise que teve na vida real. Durante os grandes planos na cara de Joaquin Phoenix é possível ver-se nos seus olhos uma ansiedade desconcertante que parece tão verdadeira que não se percebe se é Freddie Quell que a sente se o próprio Joaquin Phoenix. Também Amy Adams, apesar da sua personagem ser pouco explorada, é extremamente competente como Peggy Dodd a grande mulher por detrás do mestre.

No entanto o filme não é só feito de grandes interpretações e não se pode deixar de aplaudir o trabalho de Paul Thomas Anderson. Aqui num registo mais suave do que o estilo mais dramático e metafórico a que nos habituou, mas sempre mantendo a sua visão do cinema como uma sátira social. O trabalho de Anderson também tem se tornado mais pictórico e poético, algo que também é notório em The Master. Cada plano é especial, muito bem executado e transporta-nos facilmente para os anos 50.

The Master foi por muitos considerado um dos melhores filmes de 2012, mas estranhamente não conseguiu muitas nomeações para a 85.ºs edição dos Óscares. O filme de Paul Thomas Anderson não foi nomeado para Melhor Filme nem para Melhor Realizador e teve apenas 3 nomeações: Melhor Actor, Melhor Actor Secundário e Melhor Actriz Secundária. Visto que Joaquin Phoenix e Amy Adams não parecem ter hipótese nas suas categorias esperemos que pelo menos Philip Seymour Hoffman leve para casa o Óscar de Melhor Actor Secundário.

Também eu considero que The Master é um dos grandes filmes de 2012, apenas lamento que o deixe tanto em aberto. Gostaria de que Anderson tivesse deixado mais claro as implicações de pertencer à Causa e quais as suas crenças. O filme tem inúmeras questões que poderiam ser exploradas e que satisfariam a curiosidade do espectador, mas que de certa forma iriam eliminar a aura enigmática que The Master tem.

Corrida para os Óscares: Zero Dark Thirty

Zero Dark ThirtyA forma como Zero Dark Thirty foi aclamado pela crítica fazia prever muitas nomeações dos Óscares, facto que acabou por não se concretizar talvez pela polémica que o filme gerou. Ainda antes da estreia do filme veio-se a saber que Bigelow teve acesso a informações que não eram públicas e que estas lhe foram dadas por elementos da CIA e da Casa Branca. Tal polémica custou a Bigelow o Óscar de Melhor Realizadora, mas mesmo assim Zero Dark Thirty ainda conseguiu 5 nomeações, entre as quais a nomeação para Melhor Filme e Melhor Argumento Original.

Também Jessica Chastain foi nomeada para Melhor Actriz pelo seu desempenho em Zero Dark Thirty e apesar de não ter um desempenho brilhante demonstra a sua competência como actriz. Com o desenrolar do filme podemos ver Jessica Chastain a crescer no papel de Maya e a ganhar a frieza que o exercício da profissão desta exige. No entanto, apesar do seu bom desempenho, achei que o próprio argumento do filme não deixa que a actriz crie uma ligação com o público e não consegui sentir empatia com a sua personagem. Os americanos terão certamente mais facilidade em criar um laço com a personagem pois têm sentimentos muito mais fortes em relação à própria história.

As críticas mais negativas ao filme de Bigelow vêm consequentemente de fora dos Estados Unidos, onde muitos apontam que o filme glorifica a tortura. Contudo não partilho da mesma opinião mas achei que o filme serve de justificação para os actos praticados e para defender que apesar de tudo a captura do terrorista mais procurado de todos os tempos foi um feito heróico.

Confesso que assisti ao filme já com muitas reservas pois a temática não é particularmente interessante para mim, por isso, e pelo facto do filme só ficar mais emocionante nos últimos minutos do filme, achei-o terrivelmente aborrecido. Quando surge a sequência de acção que realmente desperta a curiosidade do espectador o filme já está sem fôlego e torna-se complicado recuperar o interesse quando já pouco ou nada nos prende ao ecrã.

 

Corrida para os Óscares: Beasts of the Southern Wild

Beasts of the Southern WildBeasts of the Southern Wild conta a história de uma menina de seis anos chamada Hushpuppy que vive sozinha com o pai num canto remoto dos pântanos do Louisiana. Vivem numa comunidade isolada daquilo que é considerado a civilização moderna e em condições que não se enquadram nos nossos padrões de normalidade.

Engana-se quem pensa que esta menina de seis anos é frágil, Hushpuppy, apesar de manter uma certa doçura própria da idade, é destemida e forte. Apesar da tenra idade tem consciência das duras realidades da vida, de que tudo o que nasce morre e de que os fortes enfrentam as dificuldades e seguem em frente. Segundo ela o universo depende do encaixe de todas as peças que o compõem e por isso, quando esse equilíbrio é quebrado e o seu mundo começa a desmoronar-se Hushpuppy vai à luta.

“It wasn’t time to sit around crying like a bunch of pussies” – Hushpuppy

Tudo na vida de Hushpuppy é difícil, até a própria relação dela com o pai. Wink é um pai negligente mas de uma forma algo esquizofrénica ama-a e quer protege-la da única maneira que sabe: tornando-a dura e auto-suficiente. À medida que o seu pai é consumido por problemas de saúde e alcoolismo, e com uma tempestade devastadora a caminho, Hushpuppy vai descobrindo como sobreviver sozinha. Os desafios que vai enfrentar são encarnados  por criaturas pré-históricas que se preparam para invadir o seu mundo.

A maravilhosa interpretação desta menina guerreira valeu a Quvenzhané Wallis a nomeação para o Óscar de melhor actriz. De entre as nomeadas a jovem de 10 anos foi a que teve mais desafios na interpretação do seu papel e ultrapassou-os todos merecendo por isso sagrar-se vencedora. Lamento no entanto que Dwight Henry não tenha sido nomeado pela sua interpretação de Wink. As performances de ambos foram surpreendentes, sobretudo para actores inexperientes. Dwight Henry por exemplo é dono de uma padaria em New Orleans e até ao momento que foi abordado por Zeitlin nunca tinha pensado em ser actor.

O filme de Benh Zeitlin tem tanto de belo como de brutal e de certa forma faz lembrar  os filmes de Terrence Malick. É muito ambicioso, está bem realizado e é totalmente diferente de todos os outros nomeados, original não só na sua história como também na forma como ela é apresentada. A ousadia de Benh Zeitlin fez com que fosse nomeado para Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado, facto surpreendente se tivermos em conta que este é o primeiro filme do realizador.

Beasts of the Southern Wild não é para todos, uns irão adorar outros detestar, mas de certeza que ninguém lhe fica indiferente. Goste-se ou não no fim fica sempre um certo desejo de saber como será o futuro de Hushpuppy.

Corrida para os Óscares: Argo

ArgoArgo, o filme de Ben Affleck que retrata o resgate arriscado de 6 funcionários da Embaixada americana durante a crise dos reféns americanos em Teerão, foi um dos filmes do ano passado mais premiados. Recebeu, entre outros prémios, 2 Globos de Ouro (incluindo o de Melhor Realizador), 3 BAFTAs (incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador), 1 SAG e o prémio de Filme do Ano pelo American Film Institute, mas será isto sinónimo de vitória nos Óscares?

O filme de Affleck tinha todas as condições necessárias para fazer sucesso nos Óscares, mas o seu percursos vitorioso foi desde logo travado pelas nomeações. Apesar de ter sido nomeado para Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Actor Secundário não conseguiu a nomeação para Melhor Realizador e Melhor Actor. Além do mais, mesmo nestas 3 categorias para as quais foi nomeado Argo apenas tem hipótese na categoria de Melhor Actor Secundário. Restam lhe as nomeações para Melhor Montagem, Melhor Banda Sonora Original, Melhor Mistura de Som e Melhor Edição de Som, categorias das quais é mais difícil fazer previsões.

Obviamente que não considero que o Argo seja um dos melhores filmes de sempre, mas confesso que ao vê-lo fiquei muito surpreendida e fez-me respeitar muito mais o esforço e dedicação de Ben Affleck como realizador. O filme beneficia imenso por ter uma boa história (verídica), que apesar de glorificar cegamente o desempenho dos Estados Unidos neste conflito e quase ignorar o que desencadeou tal revolta dos iranianos (o facto dos Estados Unidos terem dado asilo ao deposto Xá do Irão). No entanto já seria de esperar que o filme fizesse dos americanos os bons da fita, é um filme feito por americanos, sobre americanos, para americanos e provavelmente parte do sucesso nas bilheteiras também se deve à história americanizada que o filme tem.

Como cineasta Ben Affleck não é brilhante, mas com Argo mostrou que está a aprender e a desenvolver um estilo próprio, mostrando que não é apenas o menino bonito de Hollywood. Está a seguir o exemplo de George Clooney (um dos produtores de Argo), mas como Affleck começou na realização mais jovem tem mais tempo para crescer, cometer erros e chegar mais além.

Argo está de certa maneira a ser sobrevalorizado pela crítica mas não se pode negar que está bem executado, interessante e que tem um bom elenco. É também de realçar o belo trabalho que foi feito pela equipa de edição, no encadeamento de imagens de arquivo com o resto do filme, e a banda sonora que em muito contribui para o ambiente do filme. Se argumento permitia uma exploração mais crítica e complexa? Provavelmente sim, mas Ben Affleck precisa de amadurecer como cineasta e até agora tudo indica que ele está no bom caminho.

Create your website at WordPress.com
Get started